Oficina fortalece manejo de Sistemas Agroflorestais e amplia autonomia de famílias agricultoras no Semiárido

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Formação do projeto Alimento no Semiárido dá continuidade ao acompanhamento técnico das famílias e segue agora com a entrega de mudas para fortalecer os sistemas implantados

Implantar um Sistema Agroflorestal (SAF) é apenas o primeiro passo. Para que ele se desenvolva ao longo do tempo, é necessário acompanhamento e aprendizado contínuo. Foi com esse objetivo que o projeto Alimento no Semiárido realizou a Oficina de Manejo de Sistemas Agroflorestais, reunindo famílias agricultoras para aprofundar conhecimentos sobre práticas que contribuem para a saúde do solo, a diversificação produtiva e o fortalecimento da autonomia no campo.

A atividade integrou um processo continuado de assessoria técnica desenvolvido junto às famílias participantes. A proposta é acompanhar os sistemas já implantados, compreender seus diferentes estágios de desenvolvimento e construir estratégias para sua condução ao longo dos anos.

Aprender fazendo e seguir acompanhando

Segundo o professor e facilitador da formação, Caique Rocha, o principal diferencial da iniciativa está justamente na continuidade do processo formativo.

“Essa é uma capacitação continuada. Inicialmente, foi feito um processo de entender como funcionam os sistemas agroflorestais e realizar a implantação. Agora, nesses dois dias, estamos estudando esses sistemas depois de cerca de um ano e meio, entendendo o que precisa ser feito neste momento e também observando sistemas mais avançados, com três, quatro ou cinco anos, para que, quando os sistemas das famílias chegarem nesse patamar, elas saibam como conduzi-los. O acompanhamento técnico faz com que as famílias consigam, de fato, ter um sistema agroflorestal até o final”, afirma.

Além das atividades formativas, as famílias receberam kits com ferramentas e equipamentos, contribuindo para que os conhecimentos adquiridos possam ser aplicados e replicados nos SAFs de cada propriedade.

“Mais do que aprender a fazer, é preciso ter condições de fazer”, reforça Caique Rocha ao destacar a importância do apoio material para a permanência das práticas agroflorestais.

Produzir com a natureza

Durante a oficina, também foram discutidos os princípios que orientam os Sistemas Agroflorestais e sua contribuição para a agricultura familiar.

“O sistema agroflorestal busca imitar a forma como a natureza funciona. A gente trabalha com espécies diferentes, em diferentes andares, aproveitando melhor a luz, o solo e o espaço. As famílias já desenvolvem práticas diversificadas, mas os SAFs ajudam a ampliar essa diversidade e a eficiência dos seus plantios. É um trabalho que permite produzir mais, trabalhando melhor e aprendendo com os ensinamentos da própria natureza”, explica o professor.

A partir das imagens aéreas registradas nas áreas acompanhadas pelo projeto, foi possível visualizar as transformações que os sistemas vêm promovendo nos territórios, evidenciando o potencial dos SAFs para fortalecer a produção de alimentos, a conservação ambiental e a convivência com o Semiárido.

Sobre o projeto Alimento no Semiárido

O trabalho do projeto segue em andamento. Após a etapa de implantação, do manejo e do acompanhamento técnico, as famílias também receberão novas mudas para dar continuidade à diversificação dos sistemas agroflorestais.

A iniciativa reafirma que fortalecer a agricultura familiar exige investimento contínuo em formação, assistência técnica e acesso aos insumos necessários para transformar conhecimento em prática.

Alimento no Semiárido: resiliência agroecológica no Sertão Cearense tem gestão da Avuar Social (@avuarsocial) com o apoio da Escola Família Agrícola Dom Fragoso. Este projeto tem o apoio de dois financiadores em momentos distintos, sem duplicidade e com ações complementares, assegurando o fortalecimento das suas ações: Fundo Nacional sobre Mudança do Clima e Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMC/FNMA 1/2023), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, assim como do Bazar Solidário da Receita Federal.

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